A primeira vez que vi o Teatro Mágico ao vivo, eu não tinha idéia do que esperar. Era ainda um grupo desconhecido, num lugar pequeno; mas aí eu vi um monte de bichinhos de pelúcia no palco e um sujeito pintado de palhaço bradou:
- Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser!
E pronto. Foi assim que me apaixonei. Esse fim de semana, no show de lançamento do segundo disco - o Segundo Ato - eu esperava me reapaixonar, mas não aconteceu. Ainda estou tentando achar um explicação.
O Segundo Ato é um disco muito bom. É uma espécie de fim da inocência para o Teatro Mágico, que decidiu abordar uma temática mais social, sem deixar de lado o tom lúdico de sempre (Eu não sou Chico mas quero tentar é uma piadinha de ótimo gosto). Mas o melhor do disco ainda acontece quando a trupe incorpora os integrantes da Dave Matthews Band, como na lindíssima A primeira semana. Pena, que eles já tocam há anos, ainda é uma das melhores músicas entre todas. Mas por que ao vivo esse trabalho não funciona tão perfeitamente quanto o primeiro?
Talvez seja o fato de haver muito mais coisa declamada, o que, pela mudança de temática, soa como resvalar para o pedantismo. Ou talvez eu tenha realmente me ressentido porque aquele clima gostoso, de irmandade, dos primeiros shows, não existe mais. Já havia um tempo que eu sentia falta daquela inocência espontânea do começo. Quando todo o público passou a aparecer maquiado e fazendo malabares, tudo me pareceu ensaiado, obrigatório - como um sorriso amarelo. Agora, a apresentação se tornou um culto à figura de Fernando Anitelli. A banda, jogada para os cantinhos do palco, mal aparece. O público grudado no palco acompanha o show inteiro através da telinha da câmera digital ou do celular. Anitelli dá três passos para a esquerda, e as câmeras acompanham; ele volta para o centro, e todas as telinhas retornam em perfeita sincronia. É bizarro. Pouca gente estava lá para ver o Segundo Ato, de verdade. E isso sempre corta um pouco o barato do show.
Difícil prever o que vai acontecer com o TM daqui para a frente. Já existe uma segregação entre os fãs "de verdade" e os fãs "bolinhas de sabão" - que os primeiros esperam dissipar, já que o segundo trabalho é bem menos colorido e purpurina. Mas eu não sei, não. Tenho a impressão de que o povo chato vai continuar seguindo Anitelli como um guru ou coisa que o valha. E enquanto isso acontecer, eu vou continuar achando melhor ouvir o Segundo Ato no meu mp3 player. Porque, sim, eles ainda continuam disponibilizando tudo de graça na internet, e agora até ganham dinheiro por isso no Trama Virtual. Enquanto todo mundo se descabela contra a pirataria, você não paga pela música do TM, e o TM ganha com seu download. Só por isso, eu ainda os acho a frente do nosso tempo. Continuo fã; mas começo a achar os raruxos mais chatos que os fãs do Legião Urbana.
Vim aqui conferir antigos posts de dia dos namorados e descobri: no ano passado também me atrasei para escrever sobre Y., e em 2006 não há palavra - muito embora já estivéssemos namorando. É engraçado como esmiucei, desossei, dissequei meus relacionamentos platônicos desde que comecei a escrever em blog, e depois que comecei a me relacionar de verdade, eu simplesmente me recuso a escrever. Não é que eu tenha grande senso de privacidade; sequer acredito nisso hoje em dia, para ser bem sincera. Então, aí vai: a versão sem cortes de como tudo começou, para quem sabe me redimir de tudo o que eu não disse.
Conheci Y. no Skol Beats. Eu que nem gosto muito de música eletrônica e nunca vou me esforçar para dinstiguir house de techno e acho que discopunk e electro é tudo indie metido a putzputz. Mas ele gosta - e, sei lá, a Deusa quis que eu estivesse lá, só pode ser. Achei-o uma figura muito entusiasmada e doce; mas o que me fez mesmo encontrá-lo depois foi o momento em que pôs o braço em torno de mim e disse: "não vou admitir perder o contato com você!" Foi tão mais eficiente do que se ele tivesse tentando dar em cima de mim, acreditem. Eu o vi duas vezes depois e voltei de São Paulo para Bauru - fiquei lá durante 6 estranhos meses, e quase todos os dias tinha um e-mail de Y. para me deixar um sorriso. No primeiro mês, já estava bem claro que ele gostava de mim, e eu considerava dar o bote, era garantido, ele era bonitinho, simpático, quem sabe? Fomos ao show do White Stripes, em junho ou julho, acho que era julho, porque estava um frio horroroso, eu com uma saia comprida e meião por baixo, que ele pediu para ver, desconfio que queria dar uma espiada nas minhas pernas. Mas estou me adiantando; a gente se encontrou no metrô, ele veio com CDs ao vivo da Björk e eu dei-lhe uma beijoca nos lábios. Ele me olhou com uma cara de bobo inesquecível, dessas que a gente vê em filmes. O primeiro beijo de verdade foi na escada rolante da estação República. Mais cosmopolita impossível. E, sim, foi maravilhoso, anjinhos tocando trombeta em torno e tudo o mais. Mas acho que só me apaixonei no ônibus, quando me dei conta, racionalmente, que ele beijava exatamente como eu sempre tinha desejado. O show foi ótimo. Não digo isso só porque estava com ele, o show foi surpreendentemente ótimo. Depois, ficamos perambulando pela cidade - andamos de Pinheiros até a Frei Caneca, com uma parada no Fran's Café, onde fomos pessimamente atendidos e tomamos limonada sem açúcar em grandes goles. Juro! Ficamos esperando o metrô abrir na Paulista, naquela pracinha do Spot e, bem, a coisa pegou fogo, por assim dizer. Eu nem sabia que era assim tão permissiva no primeiro encontro, ainda mais ao ar livre, mas de fato a gente chegou bem perto de fazer sexo ali mesmo - talvez a presença de um guardinha tenha impedido, talvez algum pudor remanescente - e eu não me envergonho. São ótimas lembranças. E eu nem sabia que ia levar a isso, que íamos ter três dias dos namorados juntos e desejando muitos mais. Mas aconteceu e eu sou grata aos céus ou ao acaso por isso. Talvez seja destino, talvez seja só uma boa escolha inconsciente. O fato é que tem dado certo. 12 de junho de 2009, estamos aí.
Devo confessar que só hoje vi o clipe de Wanderlust, da Björk. Sabem como é: não gostei do de Earth Intruders, o thumbnail tinha um mamute, eu fiquei realmente com medo de terem estragado a melhor música do Volta. Mas eu estava enganada. O clipe é uma mistura de Viagem de Chihiro com aqueles desenhos de massinha da Cultura. Ou seja: fofo! Confira aqui:
Mas ainda acho o de Hunter o melhor clipe da Björk. Como não gostar de vê-la virar um urso polar azul?
O último disco, Extraodinary Machine, saiu em 2005, depois de muita pressão dos fãs sobre a gravadora, que não queria lançá-lo por não achar o disco "vendável". Depois disso, nunca mais ouvi falar dela. Estará Fiona Apple trabalhando do Chinese Democracy II? Ou será que resolveu bater o recorde de vôo com balões de hélio? Mistério...
E eu acho a maior sacanagem quando uma pessoa não escreve no blog durante quase um mês e depois bota uma letra de música. Mas é que eu ando pensando bastante em Fiona Apple, e as letras dela quase sempre dizem coisas sobre mim. Paciência!
I certainly haven't been shopping for any new shoes
-And-
I certainly haven't been spreading myself around
I still only travel by foot and by foot, it's a slow climb,
But I'm good at being uncomfortable, so
I can't stop changing all the time
I notice that my opponent is always on the go
-And-
Won't go slow, so's not to focus, and I notice
He'll hitch a ride with any guide, as long as
They go fast from whence he came
- But he's no good at being uncomfortable, so
He can't stop staying exactly the same
If there was a better way to go then it would find me
I can't help it, the road just rolls out behind me
Be kind to me, or treat me mean
I'll make the most of it, I'm an extraordinary machine
I seem to you to seek a new disaster every day
You deem me due to clean my view and be at peace and lay
I mean to prove I mean to move in my own way, and say,
I've been getting along for long before you came into the play
I am the baby of the family, it happens, so
- Everybody cares and wears the sheeps' clothes
While they chaperone
Curious, you looking down your nose at me, while you appease
- Courteous, to try and help - but let me set your
Mind at ease
If there was a better way to go then it would find me
I can't help it, the road just rolls out behind me
Be kind to me, or treat me mean
I'll make the most of it, I'm an extraordinary machine
-Do I so worry you, you need to hurry to my side?
-It's very kind
But it's to no avail; I don't want the bail
I promise you, everything will be just fine
If there was a better way to go then it would find me
I can't help it, the road just rolls out behind me
Be kind to me, or treat me mean
I'll make the most of it, I'm an extraordinary machine
Você sabe que envelheceu quando tem no seu currículo uma ligação para a portaria para reclamar do barulho do vizinho de cima. Mas é que eu não tinha dormido nada na noite anterior, já tinha passado das dez, e não paravam de martelar e batucar. Afinal, quem é que precisa fazer consertos depois das dez da noite? Peguei o interfone e liguei:
-- Oi. Aqui é a Dionea do 72. Está uma bateção no apartamento de cima, parece que estão botando prego na parede inteira!
-- Ah, sabe o que é? O morador ficou preso no apartamento e o chaveiro está tentando tirar ele de lá. Mas se demorar muito eu peço para eles maneirarem!
A crise de riso que se seguiu me fez saber que eu realmente não envelheci tanto.
Nota nada a ver: Juliana, obrigada por me dizer a música do comercial do Omo, era ela, sim!
Saiu essa notícia no whiplash:
Glen Benton, vocalista e baixista da lenda do Death Metal DEICIDE, alega ter visto um “Sasquatch” ou “Pé-Grande” numa floresta da Flórida.
Na última edição da revista Terrorizer, Glen conta a história de uma estranha noite no meio do nada, quando ele acredita que viu o “Sasquatch" da Flórida:
“Eu vi aquela coisa enorme cambaleando ao lado da estrada... Era uma coisa grande e cinza... aquilo atravessou a pista num pulo só, gritou 'ROOOOAHHR!' e sumiu na mata”.
Glen contou que seguiu a criatura na mata com seu jipe: “Aquela coisa quebrava árvores pra todo lado. Eu sentia no ar um cheiro parecido com o de uma lixeira... Aquela coisa parecia com algum tipo de macaco. Tinha uns olhos grandes pra caralho, mas era parte orangotango e parte chimpanzé”.
Depois de chamar a organização conservacionista Florida Wildlife, a área foi vasculhada e trilhas foram encontradas. A experiência de Glen foi documentada como uma aparição oficial.
Foi realmente um “Sasquatch” o que Glen Benton viu naquela noite? Uma coisa é certa, é preciso que tenha sido algo muito estranho para assustar o homem que algumas pessoas chamam de “o Demônio encarnado”.
A notícia que o site não publicou foi a de um mendigo na Flórida, que caminhava pela estrada enrolado em seu cobertor cinza, quando foi perseguido por uma criatura estranha mata adentro. O homem, identificado como John Doe, jura ter visto o vocalista do Deicide.
Quando eu era criança, me diziam que o Brasil era um bom país pra se viver porque não tinha terremoto, vulcão, nem furacão.
Ontem, a terra tremeu aqui em São Paulo e eu sequer percebi. E não teve um tornado ou coisa que o valha no Sul há um tempinho?
Agora só falta o entrar em erupção o vulcão debaixo da linha verde do metrô.
Quando se chega num corredor sem saída do labirinto, é preciso voltar. E nem sempre a gente tem coragem para fazer isso. A gente prefere não enxergar o que é óbvio: que é impossível ir para frente. Ou não vê o muro, ou fica tentando passar por cima - de um jeito ou outro, nunca dá certo. É necessário, como meu pai diria, "fazer frente para a retaguarda e seguir". Na vida, isso significa admitir um fracasso, coisa que todo mundo odeia fazer. Mas eu sei agora que tudo o que não se move na minha vida é fruto de decisões erradas que tomei - com ou sem consciência disso - e o melhor a fazer é dar as costas e voltar. Não estou falando da minha mudança para cá; agora, com o apartamento novo e tudo, eu acho que estou dando o passo a frente. Mas há outras coisas que ficaram presas no corredor do labirinto; já está mais que na hora de tomar outra direção. Só me falta criar coragem de dar o passo para trás.
Ontem um dos juízes de onde trabalho estava todo risonho e pimpão porque pegou uma petição onde se lia a belíssima expressão "bode respiratório". Ele contou para todo mundo, imitou o bode respiratório, toda uma alegria. Eu também gosto de ler as pérolas que os advogados desse Brasil de meu Deus mandam para cá. Como acabo de ler uma frase tão bonita que merecia um post, decidi manter o mistério, por enquanto, e organizar um compêndio com os melhores trechos de petições que eu for encontrando. Não vai demorar muito, eu garanto!
** Expressão em latim que significa "o Direito não socorre a quem dorme". Digamos que seja o equivalente romano de "Deus ajuda a quem cedo madruga".
Alguém já viu uma propaganda do Omo com um menininho vestido de homem aranha? Se alguém souber o nome dá música desse comercial, favor deixar nos comentários.
Sou obrigada a escrever que vc ficou na minha casa no show q resultou na beijoca e, depois, no namoro.... read more
on 12 de junho