É fato notório que eu não gosto de cachorros. Não gosto mesmo. Cachorros, quando não são propensos a rosnar e morder, são seres extremamente dependentes. Estão sempre demandando a sua atenção de formas irritantes, porque não sabem falar. Eu gosto de gatos, mas provavelmente jamais terei um bicho de estimação aqui em casa. Mas tem um bichinho que me visita quase todos os dias, por volta das oito e meia da manhã: é o Jarbas Passarinho.
Meu pai disse que ele é um canário da terra. Nem sabia que em São Paulo tinha canário solto, mas vá lá. Eu gosto do relacionamento que desenvolvemos. Ele, em absoluto, não precisa de mim. Nem eu dele. Mas ele aparece, pia um pouquinho, toma água com açúcar e eu fico contente em vê-lo. Achei que só beijaflores gostavam de água com açúcar, mas o Jarbas só gosta assim. Dizem que eu vou matá-lo com o açúcar e com os fungos que se formam ali. Mas eu já vi passarinho beber água da sarjeta. Não pode ser tão ruim uma aguinha doce do meu bebedouro, que eu lavo de 2 em 2 dias.