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Estou deixando esse porto
Devo confessar que só hoje vi o clipe de Wanderlust, da Björk. Sabem como é: não gostei do de Earth Intruders, o thumbnail tinha um mamute, eu fiquei realmente com medo de terem estragado a melhor música do Volta. Mas eu estava enganada. O clipe é uma mistura de Viagem de Chihiro com aqueles desenhos de massinha da Cultura. Ou seja: fofo! Confira aqui:
Mas ainda acho o de Hunter o melhor clipe da Björk. Como não gostar de vê-la virar um urso polar azul?
Por mais que esse outubro tenha tido seus altos e baixos, vai ficar marcado na memória como o mês em que eu vi minhas duas divas: Cat Power e Björk.
É difícil imaginar que era a mesma Chan Marshall sobre quem eu lia há pouco tempo a pessoa que eu vi no Ibirapuera. Mas se aquela moça perturbada que tocava no escuro como se fosse a protagonista dO Chamado não existe mais, tampouco havia uma diva no palco. Carismática, mas meio breguinha, a mulher que dava pulinhos descoordenados durante as músicas podia ser sua vizinha, se a sua vizinha tivesse a voz mais doce do mundo. Ah, sim, a voz. Que voz! Era a primeira coisa impressionante. A segunda era a capacidade de recriar músicas como se fosse do zero. Eu sempre digo que não respeito banda cover, que acho falta de capacidade de fazer música própria, mas Cat Power pode lançar quantos discos covers quiser: as versões dela são tão criativas quanto as originais. Ela tocou New York, New York e ninguém sequer percebeu - eu mesma só peguei quando ela já estava no "if I can make it there..." E apesar de gostar das músicas depressivas e mal acabadas dos primeiros discos, acho que a fase Dirty Delta Blues está sendo ótima para ela. A banda é indefectível. Até o emo que toca teclado é bom. Naked if I want to, que é do primeiro disco de covers e ela tocou no bis, ficou muito diferente e muito melhor. No fim das contas, acho que eu peguei o show na época mais certa.
Sobre Björk... Acho que ninguém espera que eu diga algo diferente de "foi sensasional, maravilhoso, mágico, divino" etc. Mas foi tudo isso. Ainda não entendo como ela consegue coordenar tantos elementos tão diferentes e fazer tudo soar harmonioso. É tudo espetacular: o cenário, o reactable (o sintetizador que parece um jogo de tabuleiro de neon), o coral... O coral é o mais legal de tudo: as meninas pulam, dançam, se acabam e ainda cantam! A Björk também, com sua roupinha rodada de arco-íris. Pagan Poetry foi a música que mais me emocionou. Tive a mesma, a exata sensação de quando a ouvi pela primeira vez, deitada no chão entre as caixas de música da casa minha avó. Arrepiou meu corpo inteiro. As músicas do Volta também são maravilhosas ao vivo. E 5 years, por Deus, 5 years! Nunca na vida que eu imaginei que fossa ouvir essa música ao vivo, uma das minhas preferidas. Ela tocou coisas bastante improváveis. Acho até que para um festival o show foi meio parado. Mas eu achei tudo lindo. E houve hits também. Declare independence foi o final perfeito - dá vontade de sair revolucionando tudo, com uma bandeira e um trompete, no meio da chuva de papel picado. Raise your flag! Quando acabou, fiquei me sentindo meio dopada, as coisas parecendo meio irreais. Parte de mim ainda tinha uma esperança de que ela fosse voltar e cantar mais. Fico no aguardo do próximo show, quem sabe com menos indies, porque os fãs da Julliette e do Killers foram duros de agüentar. Se eu tivesse uma granada, teria explodido a cara de uma menina que ficou berrando o refrão (e nada mais) de Hyperballad. E olha que eu nem contei da louca que queria pintar minha cara no começo do festival. Mas essa história eu conto outro dia...