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Assisti 500 dias com ela de novo e fiquei triste.
Quase Famosos não é um dos meus filmes favoritos por acaso. Seria impossível que eu não me identificasse com William, o protagonista, um ingênuo menino de 15 anos com uma mãe controladora que sonha em ser um jornalista musical - e que, à revelia dela, parte na jornada mais rock 'n roll em busca desse objetivo. Não muito longe do início do filme, há uma cena em que William e a groupie Penny Lane estão na beira do palco, entre as cortinas, vendo começar o show do Stillwater. William começa a escrever em seu bloco de anotações e Penny tira a caneta de sua mão.
Parte I
Fui passear sozinha na Paulista, como há muito não fazia, e me ocorreu que existe algo muito errado com o cinema nacional. Ou só eu acho estranho que todos os filmes brasileiros sejam estrelados pelo Selton Mello ou pelo Matheus Nachtergaele?
Ontem meu professor legal da PUC falou sobre morte. E foi uma aula meio chocha, como ele mesmo disse. Daí ele desistiu e passou o filme de Marcelo Masagão cujo título está acima desse post. Eu já tinha ouvido falar dele, e achava que era legal. Mas infelizmente me enganei. Parece que foi dado o passo maior que a perna; o filme quer contar toda a história do século XX, falar de capitalismo-psicanálise-tempo-espaço-morte-feminismo-amor-totalitarismo-guerras-civilização-cultura-contracultura e consegue transformar um conteúdo vertiginosamente amplo em uma espécie de powerpoint arrastado. E com uma trilha sonora chatíssima. Minha revolta final foi quando ele comparou um jogador de futebol com Fred Astaire. Daí em diante, fiquei pensando no Clube da Luta, que também tem capitalismo-psicanálise-tempo-espaço-morte-feminismo-amor-totalitarismo-guerras-civilização-cultura-contracultura, mas é divertido, cínico e ainda refresca os nossos olhos com uma porção de moços bonitos - tem até o Jared Leto, antes de virar emo. E é por isso, entre outras coisas, que eu prefiro o cinema americano. E não tenho vergonha de dizê-lo.
Tenho certeza que logo alguém psicografa uma mensagem dele pedindo para pararem de exibir esse filme horroroso! O roteiro, de tão desprovido de feeling cinematográfico, parece saído do Telecurso 2000. As barbas e bigodes do elenco só não parecem mais falsos do que os diálogos - diga-se de passagem, o único ator que demonstra uma ponta de espontaneidade é o menininho que faz o Bezerra na infância. Até o Carlos Vereza já foi melhor em novela da Globo. Só o filho do Glauber Rocha para conseguir que um filme tão chato e malfeito entre em circuito nacional! (nota: fiquei sabendo por uma amiga que Glauber Filho não é filho do Glauber Rocha. mas que tem costa quente na história, tem)
Tudo bem, não teve sequer um lançamento virtual, com mesa de salgadinhos no second life, mas saiu: o meu primeiro livro! O livro é digital, mas a editora é de verdade - pois é pois é pois é! Trata-se da Mojo Books, especializada em livros inspirados em música. O meu, pra quem se interessa, é inspirado em Placebo - Without you I'm nothing. Vai lá ver: www.mojobooks.com.br . O download é totalmente de grátis. O meu é o nº 69 do catálogo. Juro que não foi intencional!
Outra coisa que me senti compelida a escrever hoje é um pequeno lamento sobre os filmes lançados em 2008. Passam-se semanas sem que esteja em cartaz um filme, unzinho, que eu queira assistir. Eu que adoro cinema, que quando mudei para cá cheguei a ir três vezes numa semana, cheguei a ir pro cinema numa terça-feira à tarde, sozinha. Estou extremamente decepcionada com a falta de filmes, nem digo bons, digo assistíveis!
Estranho é que isso, no passado, nunca me impediu de ir ao cinema. Na minha adolescência, eu costumava ir uma vez por semana - e os cinemas de Bauru, obviamente, nunca foram um Espaço Unibanco da vida. Eram 4 salas onde só passavam blockbusters; eventualmente, as 4 salas passavam exatamente o mesmo filme por semanas, como Titanic ou A Paixão de Cristo. Mas eu era viciada na sala escura e sabia ter chegado ao fundo do poço assistindo A Múmia sentada no chão, porque a sessão estava lotada.
Sequer sei porque gosto tanto de cinema, já que a minha primeira vez foi traumática (espera... as pessoas dizem isso de sexo, não?). Eu tinha 4 anos e era um filme do He-Man. Legendado. Ninguém viu problema em me levar para assistir a um filme legendado, já que eu já sabia ler. Só que eu não sabia ler tão rápido, e passei 2 horas chorando porque quando começava uma linha, ela desaparecia da tela. Os adultos deviam pagar caro pelas coisas que fazem com a gente na infância.
Há mil anos, mais ou menos, decidi fazer um post sobre o meu top five de filmes. Mas pensei em tantos filmes que virou um top ten, e no fim das contas eu escrevi sobre quatro e nunca mais terminei o texto. Então, aí está - o top four. Os outros, se um dia eu tiver ânimo, aparecerão com o tempo.
Esse é o filme que eu mais vi em toda a minha vida: foram quase quinze vezes, quase todas na infância. Muito antes da Supernanny (o filme é de 1964), Julie Andrews encarnava a simpática babá de dois pestinhas bem de vida. Ela desce de uma nuvem planando num guarda-chuva, tira um quarto inteiro de uma bolsa de vovó, arruma a bagunça das crianças sem sujar um dedo e ainda consegue a proeza de reaproximar os pentelhinhos Jenny e Michael do pai workaholic. Destaque para a cena da dança dos limpadores de chaminé. Supercalifragilisticexpialidocious!
Okay, okay. Admito que é suspeito eu falar de um musical com trilha da Björk, com ela como a protagonista. Mas é bem possível que eu gostasse do filme mesmo se não fosse fã doente da moça, visto que eu tenho uma queda por filmes dramáááááááticos, desses de arrancar até a última lágrima. Björk, no enredo, é Selma, uma imigrante que trabalha numa fábrica dos EUA e guarda todos os poucos dinheirinhos que ganha para pagar uma cirurgia para seu filho. O menino tem uma condição genética que o faz perder a visão aos poucos e continuamente; a própria Selma já está quase cega, o que faz com que deslize facilmente para o mundo de sua imaginação, onde a vida é um musical ("and there's always someone to catch me when I fall..."). Um dia, Selma descobre que foi roubada por seu vizinho perturbado e o mata a golpes de cofre. E, na platéia, começa a choradeira...
Sexo, drogas, rock and roll, conflitos de grações, viagens de ácido, tentativa de suicídio. Não parece, mas esse filme é muito, muito fofo - para desespero de seu protagonista, que passa a trama toda tentando desesperadamente se livrar desse estigma de doçura. William é um garoto-prodígio do fim dos anos 60, aspirante a jornalista e apaixonado por rock. Ele consegue uma oportunidade na revista Rolling Stone: escrever uma matéria sobre o Stillwater, uma banda em ascensão. William se infiltra na turnê, é "adotado" pelas grupies e acaba se apaixonando por Penny Lane, que só tem olhos para o guitarrista da banda. A melhor cena se passa num avião, durante uma turbulência: acreditando que vão morrer, todos passam a fazer confissões, até que um dos músicos grita: "SOU GAY!" - e tudo volta ao normal imediatamente.
Primeiro longa-metrage de Sofia Coppola e um dos filmes mais agridoces de toda a história. A estética em tons pastéis da diretora cai como uma luva sobre a história de cinco adolescentes reprimidas pelos pais religiosos e ultraconservadores. A graça do enredo é que é contado do ponto de vista dos garotos da vizinhança, todos apaixonadinhos pelas meninas e obcecados pelas circunstâncias que as levam à morte. Esse distanciamento dá um tom nostálgico e estranho à trama, embalada por canções do Air e dos anos 70, época em que se passa o filme (impressão minha ou meu gosto tende muito a retratos do passado?).
Mais uma prova de que o cinema brasileiro tem muito a aprender com Hollywood: como prender o espectador a mais de uma hora e meia de filme com três personagens e trilha sonora mínima? Duvido que qualquer um desses filmadores de pobrinhos conseguiria. Palmas para o diretor e para o roteirista de Eu sou a lenda - eles não prendem, eles agarram você à tela. O filme é insuportavelmente tenso. E em silêncio completo, numa Nova Iorque solitária e imóvel. O silêncio é desesperador. E o que assusta mais é o que se insinua; é o canto escuro de onde pode sair algo que certamente o matará. Will Smith representa bem o sujeito fortão e brilhante que se vê à beira da loucura por passar três anos tendo uma cachorra como única companhia. E é verdade, Alice Braga tem um inglês melhor que o da tia. Ah, e o nome do filme parece esquisito, mas faz sentido - e só faz sentido no finalzinho da história. Não é um filme para pensar, é fato, mas é uma boa história, contada da melhor maneira possível. Ponto para o tio Sam.
Para encerrar o ano, aqui vai um curta dirigido por uma grande amiga minha e protagonizado por outra. Vejam antes que elas cobrem royalties :)