17 posts tagged “dionea”
Ontem minha professora de psicanálise disse que algumas pessoas têm iniciado conversas telefônicas com ela dizendo:
Particularmente, acho que só uma psicanalista mesmo para conhecer gente paranóica desse modo. Mas eu já tive meus momentos de ser espionada, só que ocorreram na internet. Daí eu ter criado a Dionea como persona, servindo ao ambíguo propósito de revelar e esconder quem eu era realmente.
Minha mãe devia saber que eu não sou dada a manifestações efusivas de afeto. Agora ela acha que eu não gosto dela.
Ela reclama que eu não sei quem ela é, mas um dia ela quis que eu a conhecesse? Um dia ela quis me conhecer? Não. Ela quis me mudar. Ainda quer.
Obrigada, mas assim eu dispenso. Amor para mim não é isso.
♪ You've been flirting again - Björk
Dia desses achei uma carta de amor jogada no chão perto de onde trabalho. Era algo semelhante a uma letra de música e resolvi procurar no Google.
Era Wanessa Camargo...
Eu tenho o hábito desgraçado de cometer heresias e depois ficar morrendo de medo do inferno, sem nem saber direito se acredito nele. O fato é que, se há um inferno, lá é o meu lugar; de que outro modo se explica o fato de eu ter sonhado que dava um rolê pelo Hades, de braço dado ao próprio Tinhoso, quando tinha só dez aninhos?
Bem, eu achava que era black metal suficiente o fato de ter comido carne crua na sexta-feira santa... até ouvir essa conversa:
- O que Jesus fez depois que ressuscitou?
- Foi para o céu.
- Mas se ele foi para o céu, ele morreu...
- Não, ele foi vivo para o céu.
- Mas com a falta de oxigênio, ele não pode ter subido muito longe.
Tenho certeza que Nietzsche jamais pensaria nesse argumento.
♪ Good clean fun - Cat Power
Importei alguns posts do blogspot, só para dar um ar mais cheinho à minha casa nova. Esse Vox é cheio de funçõezinhas legais.
Lembrando aos antigos leitores que quem for cadastrado e for adicionado como meu amigo poderá comentar.
♪ Perfect Now - Sarah Blasko
Essa coisa de blog pegou mesmo. Saiu até uma matéria na última edição da revista Cráudia, com depoimentos - e links, claro - de blogueiras "famosinhas". Eu só tinha ouvido falar do Mothern, porque as mocinhas que escrevem lá têm uma coluna na TPM.
Estou nesse mundinho viciante dos blogs desde 2001. De lá para cá, minha vida mudou completamente e meu texto evoluiu muito; pelo menos é o que eu acho. Mesmo em seus picos de audiência, esse blog manteve a média de 20 acessos por dia, o que considero bom demais. Eu tenho tanta paciência para fazer a social em blog quanto tenho para fazer isso na vida real. O que significa paciência nenhuma. Meu tempo é precioso e eu só leio o que e quem me interessa. Só comento quanto realmente tenho algo a dizer. Isso, somado ao número reduzido de amigos que tenho na vida real, faz de 20 acessos/dia um sucesso absoluto de público. Se eu dependesse de problogging*, já teria mastigado a língua, na falta do que comer.
Mas os meus poucos leitores são fiéis e eu agradeço a todos. Se eu escrevesse para mim, começaria com "querido diário" e fecharia com cadeado. Não, eu escrevo para vocês, meus amigos queridos. Obrigada por todas as visitas. Obrigada em especial à moça da Inglaterra, que nunca me viu, mas sempre alegra meu dia com a bandeirinha bretã nas estatísticas de acesso (eu ainda lembro do seu comentário, viu?). Obrigada também ao ser que me mandava enriquecedoras mensagens de vingança; poucos leitores foram tão fiéis durante meses a fio e engrossaram tanto meu contador de visitas! E obrigada a todos que entraram aqui procurando fotos de pênis, touca para luzes e informações sobre moda grega. Um beijo pro meu pai, pra minha mãe e pra vocês!
Essa mensagem também é para dizer que mudei de casa novamente. Agora me hospedo no Vox, que é limitado, mas muito mais legal que o Blogger. Entrem lá: http://dionea.vox.com.
* Probloggers são blogueiros supostamente profissionais, que supostamente ganham dinheiro com anúncios. E meu olho esquerdo é irmão do direito.
Mudei definitivamente para cá e algumas coisas mudaram:
1. A todos aqueles com comichões de comentar, isso agora é possível - mas vocês precisam se cadastrar no Vox para que eu possa adicioná-los como amigos. Ainda preciso manter o controle...
2. A trilha sonora que sempre mencionei em meus posts agora pode ser ouvida! Veja na coluna a sua direita.
3. O único problema do Vox é a quantidade reduzidíssima de links que posso colocar na página. Portanto, não fique ofendido se seu blog não está por aqui.
Casa nova é sempre bom, gente!
♪ Unison - Björk
Primeiras vezes são sempre difíceis... Mas a gente tem que estrear de alguma forma.
-- Eu te amo.
-- Eu também...
-- Eu te amo mais. Dois a um para mim, ganhei.
Eu sempre adorei cinema; mas toda vez que vejo um cartaz de filme nacional, segue uma inevitável torcida de nariz. Não é propriamente um desgosto, mas uma desconfiança. Eu não confio na capacidade do cineasta brasileiro de me divertir, a não ser que ele esteja imerso em outra realidade, como Fernando Meirelles no Jardineiro Fiel. E nem é porque ele tem Ralph Fiennes em vez de Lázaro Ramos, embora esse já seja um bom motivo. O fato é que o cinema brasileiro raramente mostra algma criatividade. Parece que existe uma Caminho Suave do Cinema Nacional, que os profissionais morrem de medo de contrariar.Se realmente houvesse uma cartilha,quais seriam os preceitos? Arrisco alguns:
1. Faça filmes sobre pobres. Afinal, a classe média, quem realmente consome o filme, não precisa se identificar com os personagens. Filmar pobres justifica o investimento de dinheiro público no cinema.
2. Se não quiser filmar pobres, se fixe no passado. É muito mais fácil inventar um passado do que um presente, ou futuro. Você pode, por exemplo, colocar seu personagem numa competição de remo e ninguém vai perceber que aquilo nunca foi brasileiro. O passado se esquece. Além disso, filmes históricos têm uma tendência irresistível ao cult, principalmente se for sobre a ditadura. A ditadura sempre exercerá um fascínio dourado sobre a "elite intelectual" do país.
3. Use muitos palavrões. Use palavrões até onde eles não couberem. Se o seu casal protagonista conseguir dizer "eu te amo, porra!" ou "casa comigo, caralho!", o roteiro é ótimo.
4. Abuse da MPB na trilha. Vale até Elza Soares fazendo cover da Björk.
5. Só três lugares merecem ser filmados: Rio de Janeiro, Salvador e o sertão. O resto do Brasil não tem relevância para o cinema.
6. Contrate muitos atores da Globo. Não é suficiente vê-los na TV.
7. Faça com que haja pelo menos uma gostosa pelada durante a trama, mesmo que ela se passe num mosteiro; na verdade, quanto mais gostosas peladas, melhor.
8. É permitido subestimar o público. Ele vai se distrair com as luzes, esquecer do que viu e continuar vendo o mesmo filme feito de mil maneiras diferentes.
A Ancine agradece...
♪ No cars go - Arcade Fire