Um grande desejo do meu pai, desde que virei adolescente, era de que eu fosse patricinha. Enquanto a maioria das meninas tentava sem sucesso extorquir as carteiras dos pais, o meu adorava ir comigo ao shopping - mas eu preferia manter a cara enfiada nos livros.
Naquele tempo, eu achava que ia morrer como o Álvares de Azevedo: jovem, pálida e virgem. Gostava quando o professor de literatura dizia que ele tinha uma experiência "livresca". Eu também experimentava na leitura coisas que achava que nunca poderia fazer na vida.
Mas o mundo dá muitas voltas e virei uma ávida consumidora de informação sobre moda e beleza. Continuo usando as mesmas calças jeans e tênis de sempre, só que agora experimento na leitura tudo o que meu pai queria que eu fizesse na vida.
O mundo dá voltas, mas sempre em torno de si mesmo.
E ontem vi um programa sobre moda no GNT em que falaram sobre misturar estampas. Fizeram um carnaval absoluto no look de uma moça, mas apesar do mau exemplo, ficou uma boa dica: o segredo para não virar uma palhaça é misturar estampas de cores que combinem. Hoje resolvi sair de casa com uma blusa estampada de folhinhas e uma jaqueta listrada, tudo em tons meio amarronzados. E não é que funcionou? Achei bonito no espelho e ninguém me olhou na rua como se eu fosse uma doida.
Quem sabe eu aproveite mais as coisas que leio daqui para frente...