10 posts tagged “recuerdos”
Eu detesto quando as minhas aulas de semiótica psicanalítica descambam para uma psicanálise mais individual e menos social. Porque aí eu sou obrigada a abrir meus baús cheios de teia de aranha e, sabem, eu odeio aranha. Morro de medo de aranha.
Quando eu estava na quarta série, minha professora de redação decidiu promover um debate sobre a pena de morte. Nunca entendi por quê. Só sei que fui designada para defender a pena de morte e consigo me ver ainda dizendo, com menos de um metro e meio de altura: se alguém matasse sua mãe, você não ia querer que essa pessoa morresse? Foi o melhor argumento que pude arrumar, mas mesmo naquele tempo eu o achei ridículo. A professora gostava de mim e disse que eu quase a tinha convencido.
Quando eu tinha uns cinco anos de idade, viajei para a casa de uma prima que era um pouco mais nova que eu. Minha mãe comprou duas bonecas: uma era um presente para ela, a outra era para mim. Uma era uma boneca que eu queria há tempos; a outra era mais bonita do que a primeira, mas não era a que eu já andava a querer. E, bem, vocês já imaginam o que eu respondi à minha mãe quando ela me disse para escolher qual boneca eu queria:
Mais que o sono, perco o sentido de deitar se ele não estiver do lado.
Um grande desejo do meu pai, desde que virei adolescente, era de que eu fosse patricinha. Enquanto a maioria das meninas tentava sem sucesso extorquir as carteiras dos pais, o meu adorava ir comigo ao shopping - mas eu preferia manter a cara enfiada nos livros.
Estava vendo algumas fotos do meu tempo de faculdade e achei uma em que estou com uma camiseta onde se lê: sou feliz com Jesus. E no meu pescoço tem uma coleira com rebites pontudos, dessas de pitbull.
Um dia eu encontrei um ator da Malhação no boteco da esquina de casa. Olhei para ele achando que era algum conhecido meu, com aquela cara de "... mas de onde?", e ele me deu um sorrisinho, pensando que eu era fã.
Ontem aconteceu o primeiro churrasco de reencontro do pessoal que fez jornalismo comigo. Nem acredito que faz cinco anos que a gente formou, que daqui a 2 anos vai fazer uma década - Deusa, UMA DÉCADA - desde que entramos na Unesp, cheios daquele orgulho de quem passa no vestibular e daquela esperança de quem começa uma fase completamente nova na vida. Incrível como todo mundo que estava no churrasco está trabalhando na área, exceto eu e duas bancárias. E como parece que ninguém envelheceu, só engordou, emagreceu, ou mudou de cabelo. Algumas pessoas casaram, algumas passaram a frequentar micaretas, outras a usar sapato de salto, mas, na essência, ninguém mudou, mesmo depois de tanto tempo. Que saudade da Unesp. Eu me sentia realmente em casa naquele lugar.
Tudo bem, não teve sequer um lançamento virtual, com mesa de salgadinhos no second life, mas saiu: o meu primeiro livro! O livro é digital, mas a editora é de verdade - pois é pois é pois é! Trata-se da Mojo Books, especializada em livros inspirados em música. O meu, pra quem se interessa, é inspirado em Placebo - Without you I'm nothing. Vai lá ver: www.mojobooks.com.br . O download é totalmente de grátis. O meu é o nº 69 do catálogo. Juro que não foi intencional!
Outra coisa que me senti compelida a escrever hoje é um pequeno lamento sobre os filmes lançados em 2008. Passam-se semanas sem que esteja em cartaz um filme, unzinho, que eu queira assistir. Eu que adoro cinema, que quando mudei para cá cheguei a ir três vezes numa semana, cheguei a ir pro cinema numa terça-feira à tarde, sozinha. Estou extremamente decepcionada com a falta de filmes, nem digo bons, digo assistíveis!
Estranho é que isso, no passado, nunca me impediu de ir ao cinema. Na minha adolescência, eu costumava ir uma vez por semana - e os cinemas de Bauru, obviamente, nunca foram um Espaço Unibanco da vida. Eram 4 salas onde só passavam blockbusters; eventualmente, as 4 salas passavam exatamente o mesmo filme por semanas, como Titanic ou A Paixão de Cristo. Mas eu era viciada na sala escura e sabia ter chegado ao fundo do poço assistindo A Múmia sentada no chão, porque a sessão estava lotada.
Sequer sei porque gosto tanto de cinema, já que a minha primeira vez foi traumática (espera... as pessoas dizem isso de sexo, não?). Eu tinha 4 anos e era um filme do He-Man. Legendado. Ninguém viu problema em me levar para assistir a um filme legendado, já que eu já sabia ler. Só que eu não sabia ler tão rápido, e passei 2 horas chorando porque quando começava uma linha, ela desaparecia da tela. Os adultos deviam pagar caro pelas coisas que fazem com a gente na infância.
Fazia tempo que os malucos não me abordavam.
- Gosta de poesia?
- Hoje, não.
Já gostei um dia de poesia. Já escrevi poemas, quando eu tinha uns 14 anos. Eles eram uma droga, mas o Jornal da Cidade (com maiúsculas, mesmo) publicava. Depois os hormônios se acalmaram e eu comecei a escrever ficção. Nunca mais fiz um versinho na vida. Anos depois, descobri o blog - comecei a escrever essa espécie de crônica-diário que no fundo não serve para nada - e os contos, os romances foram se movendo cada vez mais em direção ao fundo da gaveta. Comecei a pensar que os meus escapes criativos se alternam. Tenho tirado fotos alucinadamente. O blog anda meio às moscas, coitado. É possível que em breve ele silencie de vez.
Afinal, tudo o que começa acaba, certo?
ouvindo: in a big country - big country