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Assisti 500 dias com ela de novo e fiquei triste.
-- Não sei viver sem você.
Aquele Twitter é uma merda. Não tenho vontade nem espaço pra escrever lá o que foi o Skol Sensation. Porque, analisando friamente, foi uma roubada. Quase morri sufocada antes de entrar, porque só tinha um portão e as pessoas adoram se empurrar em espaços pequenos - horas em que tenho vergonha de ser humana e não, sei lá, um esquilo. O ser humano é um ser para a morte. Não sei que filósofo disse isso, mas essa frase me persegue há semanas. Voltando ao evento, a produção deixou a desejar, os DJs deixaram a desejar, a única coisa realmente muito legal foi todo mundo estar vestido de branco. Dava uma idéia inigualável de pertencer, de ser igual, de que tudo é uma coisa só; mas aí também houve uma ajudinha do excesso de serotonina no cérebro. Eu estava com pessoas muito queridas e me sentia tão, mas tão feliz que eu achava todo mundo lindo, achava tudo lindo, achava que tinha encontrado meu lugar no mundo. Em geral o que eu sinto é o oposto. Mas hoje, mesmo com a chuva, acabada, doente do pé e com uma estranha bolha no canto da boca eu ainda me sinto bem. Porque é domingo e eu estou na minha casa com quem eu amo. E isso faz toda a diferença. Com ou sem excesso de serotonina no cérebro. Acho que é ocitocina o nome do hormônio que faz a gente estabelecer afinidades sociais. A produção aumenta em 400% durante o orgasmo. Quer saber como manter um relacionamento longo e saudável? Eis a resposta. Tinha uma camiseta na Nonsense que dizia: la felicidad es química. De fato o é. O amor é químico também.
Eu sei que somos de mundos diferentes. Mas se isso não impediu nosso encontro, porque impediria o recomeço? Porque foi uma morte, o que aconteceu. Algo dentro de mim foi reduzido a cinzas. Mas as cinzas fertilizam o solo para que uma vida nova cresça. Eu preciso de uma confiança nova, uma confiança de raiz que vai abrindo caminho na terra até encontrar alimento. Só que, por enquanto, sou mais frágil que um brotinho de feijão. Que ele saiba ser meu constant gardner, é só o que eu desejo.
Vim aqui conferir antigos posts de dia dos namorados e descobri: no ano passado também me atrasei para escrever sobre Y., e em 2006 não há palavra - muito embora já estivéssemos namorando. É engraçado como esmiucei, desossei, dissequei meus relacionamentos platônicos desde que comecei a escrever em blog, e depois que comecei a me relacionar de verdade, eu simplesmente me recuso a escrever. Não é que eu tenha grande senso de privacidade; sequer acredito nisso hoje em dia, para ser bem sincera. Então, aí vai: a versão sem cortes de como tudo começou, para quem sabe me redimir de tudo o que eu não disse.
Conheci Y. no Skol Beats. Eu que nem gosto muito de música eletrônica e nunca vou me esforçar para dinstiguir house de techno e acho que discopunk e electro é tudo indie metido a putzputz. Mas ele gosta - e, sei lá, a Deusa quis que eu estivesse lá, só pode ser. Achei-o uma figura muito entusiasmada e doce; mas o que me fez mesmo encontrá-lo depois foi o momento em que pôs o braço em torno de mim e disse: "não vou admitir perder o contato com você!" Foi tão mais eficiente do que se ele tivesse tentando dar em cima de mim, acreditem. Eu o vi duas vezes depois e voltei de São Paulo para Bauru - fiquei lá durante 6 estranhos meses, e quase todos os dias tinha um e-mail de Y. para me deixar um sorriso. No primeiro mês, já estava bem claro que ele gostava de mim, e eu considerava dar o bote, era garantido, ele era bonitinho, simpático, quem sabe? Fomos ao show do White Stripes, em junho ou julho, acho que era julho, porque estava um frio horroroso, eu com uma saia comprida e meião por baixo, que ele pediu para ver, desconfio que queria dar uma espiada nas minhas pernas. Mas estou me adiantando; a gente se encontrou no metrô, ele veio com CDs ao vivo da Björk e eu dei-lhe uma beijoca nos lábios. Ele me olhou com uma cara de bobo inesquecível, dessas que a gente vê em filmes. O primeiro beijo de verdade foi na escada rolante da estação República. Mais cosmopolita impossível. E, sim, foi maravilhoso, anjinhos tocando trombeta em torno e tudo o mais. Mas acho que só me apaixonei no ônibus, quando me dei conta, racionalmente, que ele beijava exatamente como eu sempre tinha desejado. O show foi ótimo. Não digo isso só porque estava com ele, o show foi surpreendentemente ótimo. Depois, ficamos perambulando pela cidade - andamos de Pinheiros até a Frei Caneca, com uma parada no Fran's Café, onde fomos pessimamente atendidos e tomamos limonada sem açúcar em grandes goles. Juro! Ficamos esperando o metrô abrir na Paulista, naquela pracinha do Spot e, bem, a coisa pegou fogo, por assim dizer. Eu nem sabia que era assim tão permissiva no primeiro encontro, ainda mais ao ar livre, mas de fato a gente chegou bem perto de fazer sexo ali mesmo - talvez a presença de um guardinha tenha impedido, talvez algum pudor remanescente - e eu não me envergonho. São ótimas lembranças. E eu nem sabia que ia levar a isso, que íamos ter três dias dos namorados juntos e desejando muitos mais. Mas aconteceu e eu sou grata aos céus ou ao acaso por isso. Talvez seja destino, talvez seja só uma boa escolha inconsciente. O fato é que tem dado certo. 12 de junho de 2009, estamos aí.
Mas é que eu me sinto tirada da sua costela.
Eu valorizo a solidão. Não acho ruim estar sozinha; pelo contrário, preciso de uns tempos só comigo para recarregar as baterias, para conseguir botar a cara alegre de manhã e socializar com as pessoas. Todas as boas idéias, todos os insights só me ocorrem quando estou sozinha. Mas tudo isso acaba quando o ponteiro do relógio vai chegando em cima: dez, onze horas, e ele não está aqui. Não faz o menor sentido. Supostamente eu sou uma pessoa independente, auto-sustentável. Mas à meia-noite, viro abóbora: não sei mais dormir sozinha. Fica faltando um pedaço na cama, fica um abismo do lado e eu não quero cair. Nem vejo sentido em deitar se ele não estiver lá. Não tem a menor graça acordar se não for ele a primeira coisa que eu vir. E olha que eu já não gostava de dormir sozinha quando nem sabia o que era dormir acompanhada.
Mas hoje ele vem. Até eu dormir ele chega.
ouvindo: sun in my mouth - björk
Recebi por e-mail - o encontro ideal para cada signo
Sagitário: o Arqueiro gosta de movimento, então planeje encontros cheiros de ação. Considere dançar sob as estrelas, fazer uma aula de yoga, andar de patins na beira da praia ou escalar uma montanha com comida e vinho na mochila para comemorar no topo (gostei da comida na mochila). Não seja reservado na conversa. Seu sagitariano sabe lidar com isso, então fale sobre seus sonhos mais loucos e aventuras desejadas. A propósito, esses seres meio animais, meio humanos são cheios de entusiasmo e têm uma sensualidade bastante feroz. Se gostarem de você, vão querer explorá-lo mais profundamente. Em outras palavras, sagitarianos geralmente querem mais, se você quiser.
Leão: você está lidando com o rei das selvas aqui. Isso quer dizer que seu leonino precisa de um encontro em grande estilo. Um pouco de drama faz bem - convide-os para um show, um concerto ou peça de teatro seguido do restaurante mais hype do momento. Fale sobre sobre cultura, política e os acontecimentos mais recentes no mundo. Enquanto você faz isso, não esqueça de acariciar o ego deles, esbanjando elogios e fazendo com que eles tenham a palavra a maior parte do tempo. Brinque com o cabelo (eu adoro!) e sussurre ao ouvido deles, se quiser que os leoninos implorem por você.
Agora entendi porque é que aquele show dos White Stripes seguido de uma longa caminhada de Pinheiros até a Paulista no meio da madrugada, falando sobre tudo e todos, deu tão certo!
O texto original (em inglês) com todos os signos está aqui.
Quando minha mãe tinha quinze anos, um conhecido que se dizia vidente foi visitar a casa dela. Ela estava na sala com as irmãs e o sujeito disse:
- Uma dessas meninas vai casar com um chinês!
O tal vidente teria caído no completo esquecimento, não fosse uma tarde em que minha mãe sentou no ônibus ao lado de... sim, de um chinês. E o pobre oriental ficou caidinho por ela. Ligava toda semana. Minha mãe mandava dizer que não estava. Um dia, resolveu falar com o chinês. Disse que estava namorando, que não adiantava insistir, que ela não ia se encontrar com ele. O moço nunca mais telefonou.
Mais ou menos um ano depois, minha mãe se casou com meu pai. Eles estão juntos há trinta anos.
Minhas tias continuam solteiras, e não têm contatos com chineses, que eu saiba.
ouvindo: Graines d'etoiles - Emilie Simon
Às vezes eu acho que Y. e eu pertencemos a mundos completamente distintos. Ele diz que quer passar o resto da vida comigo... Mas a sensação que eu tenho é daqueles filmes de sereias, em que a figura um dia surge das águas para a nossa vida, e quando a gente se apega a pessoa descobre que não pode ficar no seco para sempre - e a gente se pega correndo para devolver o que mais ama para o fundo do mar. A impressão é que a qualquer instante ele vai escorregar dos meus braços para o oceano. E eu voltei a ouvir Cat Power e me identificar. Isso não deve ser bom presságio.
You're losing the star without a sky, losing the reasons why... You're losing the calling that you've been faking and I'm not kidding... It's damned if you don't and it's damned if you do - be true 'cause they'll lock you up in a sad sad zoo. Oh hidy hidy hidy what are you trying to prove? By hidy hidy hiding you're not worth a thing...
E ele vai ter que usar o tradutor do Google comigo também.
ouvindo: metal heart - cat power