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Hoje tem No Capricho de novo e já comecei a ficar tensa por ter de encarar hordas de adolescentes histéricas de salto alto. Ainda mais que ontem foi o show do Nando Reis e foi algo muito adulto, muito tranquilo e muito high society. Haviam cinco fotógrafos, no máximo, incluindo eu, o que significa que pude ficar muito livre e muito perto. Até ganhei um sorriso exclusivo do Nando, mas a iluminação baixou, não consegui regular a câmera a tempo e só saiu um vulto. Mas tinha muitas fotos boas entre as outras 154 que tirei. E o show dele é bem legal; gostei particularmente das músicas que ele fez para os filhos e do cover de Whisky a Go-go. Vi a coisa mais true: uma fotógrafa com uma câmera compacta de filme! Achei sensacional, nessa era em que o que vale é pendurar no pescoço uma Canon digital mais pesada que a minha bunda. E agora estou ouvindo Mantra, a música dele que eu mais gosto - e que ele nem tocou. É aquela com os hare krishnas: quando se acabou com tudo, espada e escudo, forma e conteúdo, já então agora dá para dar amor...
Araçatuba foi melhor, de longe, que São Paulo. Engraçado como mesmo depois de vários shows da mesma banda você consegue se surpreender. Quem iria imaginar...
* Fernando Anitelli cantando o refrão de Glorybox? Tão bizarro que eu quase fundi a cachola lembrando que diabo de música era aquela.
* um momento de verdadeiro fiasco no show do Teatro Mágico? Sabe quando alguém conta uma piada ultra-sem-graça para um grupo de pessoas e todo mundo fica com aquela cara de pasmo, sem acreditar que o sujeito teve coragem de dizer algo tão infame? Foi o que aconteceu quando eles tentaram emendar Cara Estranho, do Los Hermanos, no meio de Cidadão de Papelão. Diante da cara de quem não entendeu do público, e dos cochichos de "que música é essa?", a tentativa não passou de dois versos. Para ficar definitivamente esclarecido que os fãs do TM não são os órfãos de Marcelo Camelo.
Que o show do Muse em São Paulo foi bom, qualquer resenha lhes dirá. Eu gostava do Absolution e achei o último disco deles, Black Holes and Revelations, sensacional desde a primeira ouvida - e já esperava que o show fosse legal. É, e muito. Eles são posers, nunca se livraram do estigma de ser o "Radiohead na fase rock", mas fazem uma apresentação de responsa. E não é só porque tem fumaça à la Kiss, bolas gigantes caindo na platéia ou pirotecnia e projeções; é porque o grupo realmente se entrega. Tendo assistido a poucos shows esse ano, e com a minha onipresente tendência a comparar as coisas, depois das duas primeiras músicas logo me veio à cabeça: "menos de quinze minutos de show e o Muse já botou o Interpol no chinelo". Depois dos 90 minutos, esqueci completamente que o Interpol existia. No meu pódio de shows indie, não sei quem colocar em primeiro lugar: o White Stripes ou o Muse. O show do White Stripes teve o fator surpresa: eu achava que seria chinfrim, mas eles funcionam ainda melhor ao vivo que no disco. O show do Muse é competente sem deixar de ser divertido, grandiloqüente mesmo no espaço do HSBC. E vai dizer que a superprodução não dá um ar de carinho com o público? Eu acho.
Mas há coisas que as resenhas não lhes dirão, e eu me sinto no dever de compartilhar:
- O HSBC é um dos melhores lugares para show em São Paulo, apesar de a localização ser tenebrosa. A visibilidade da parte de cima é ótima, mesmo sendo meio estranho sentar num banco de boteco para ver o show. E você pode pedir petiscos! Tinha um tiozão numa mesa a minha frente que foi uma incógnita para mim: ele não parecia um fã do Muse, mas insistiu em filmar o show quase o tempo todo, enquanto fazia a ceia ali. Ele pediu porções de pastel, miniquibes, sanduíches, e foi um tanto quanto bizarro assistir ao show com aquele cheiro de frango. Mas vá lá. E eles não rasgam seu ingresso, como o Via Funchal, que não te deixa nem com o nome da banda de lembrança.
- Bellamy, o frontman do Muse, não é aquele virtuose que todo mundo fala. Apesar das brincadeiras com a microfonia (o que, francamente, me irrita deveras), quem fazia os solos de guitarra não era ele, mas um sujeito escondido atrás da cortina, que só dava para ver no lugar onde eu estava. E de vez em quando tinha um músico misterioso meio camuflado perto da bateria. Acho uma certa sacanagem esconder assim a banda de apoio. Não vejo demérito algum em não se conseguir reproduzir com apenas três caras o que está no disco - mas que se seja sincero e se dê crédito aos pobres músicos anônimos, pôxa.
- Apesar do som impecável dos instrumentos, achei o microfone do vocalista baixo demais. Dava para ouvir melhor os backing vocals que ele.
- Se alguém pára na sua frente se você pagou para ficar na "primeira fila", finja um espirro e cuspa na nuca dele. Passar o pé na bunda não adianta, as pessoas gostam.
- Sou só eu ou mais alguém acha muita viadagem trocar de guitarra a cada música?
Abaixo, um dos efeitos especiais da apresentação.
A primeira vez que vi o Teatro Mágico ao vivo, eu não tinha idéia do que esperar. Era ainda um grupo desconhecido, num lugar pequeno; mas aí eu vi um monte de bichinhos de pelúcia no palco e um sujeito pintado de palhaço bradou:
- Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser!
E pronto. Foi assim que me apaixonei. Esse fim de semana, no show de lançamento do segundo disco - o Segundo Ato - eu esperava me reapaixonar, mas não aconteceu. Ainda estou tentando achar um explicação.
O Segundo Ato é um disco muito bom. É uma espécie de fim da inocência para o Teatro Mágico, que decidiu abordar uma temática mais social, sem deixar de lado o tom lúdico de sempre (Eu não sou Chico mas quero tentar é uma piadinha de ótimo gosto). Mas o melhor do disco ainda acontece quando a trupe incorpora os integrantes da Dave Matthews Band, como na lindíssima A primeira semana. Pena, que eles já tocam há anos, ainda é uma das melhores músicas entre todas. Mas por que ao vivo esse trabalho não funciona tão perfeitamente quanto o primeiro?
Talvez seja o fato de haver muito mais coisa declamada, o que, pela mudança de temática, soa como resvalar para o pedantismo. Ou talvez eu tenha realmente me ressentido porque aquele clima gostoso, de irmandade, dos primeiros shows, não existe mais. Já havia um tempo que eu sentia falta daquela inocência espontânea do começo. Quando todo o público passou a aparecer maquiado e fazendo malabares, tudo me pareceu ensaiado, obrigatório - como um sorriso amarelo. Agora, a apresentação se tornou um culto à figura de Fernando Anitelli. A banda, jogada para os cantinhos do palco, mal aparece. O público grudado no palco acompanha o show inteiro através da telinha da câmera digital ou do celular. Anitelli dá três passos para a esquerda, e as câmeras acompanham; ele volta para o centro, e todas as telinhas retornam em perfeita sincronia. É bizarro. Pouca gente estava lá para ver o Segundo Ato, de verdade. E isso sempre corta um pouco o barato do show.
Difícil prever o que vai acontecer com o TM daqui para a frente. Já existe uma segregação entre os fãs "de verdade" e os fãs "bolinhas de sabão" - que os primeiros esperam dissipar, já que o segundo trabalho é bem menos colorido e purpurina. Mas eu não sei, não. Tenho a impressão de que o povo chato vai continuar seguindo Anitelli como um guru ou coisa que o valha. E enquanto isso acontecer, eu vou continuar achando melhor ouvir o Segundo Ato no meu mp3 player. Porque, sim, eles ainda continuam disponibilizando tudo de graça na internet, e agora até ganham dinheiro por isso no Trama Virtual. Enquanto todo mundo se descabela contra a pirataria, você não paga pela música do TM, e o TM ganha com seu download. Só por isso, eu ainda os acho a frente do nosso tempo. Continuo fã; mas começo a achar os raruxos mais chatos que os fãs do Legião Urbana.
Hoje fomos ver a Diana Krall no Parque Villa Lobos. Por mais que eu seja a favor de shows gratuitos, achei bizarro marcarem um show para às 11 horas e montarem o palco no meio de um deserto; não tinha uma mísera sombrinha, e o relógio marcava 31 graus. Eu, que definitivamente não nasci para ficar no sol, tive que apelar para a sobra de Y. e quase desejei que ele fosse mais gordinho. A propósito, vai aqui meu imenso agradecimento a ele por me proteger até do sol :) Apesar disso, eu me diverti bastante. Tinha até dançarinos gays dando show de acrobacias em outro canto do parque! Um luuuuuuuxo!
Vocês sabem: eu não sou normal, tenho sonhos bizarros, idéias pitorescas... mas nem em um milhão de anos a foto acima pareceria a de uma banda que eu iria ver, certo? Certo.
Só que eu fui ao show do Therion - e eu gostei, gostei muito! A começar pelo público. Eu imaginava que ia entrar num antro de ogros, mas perto das pessoas de todos os shows que eu já vi na vida, eles eram lordes. No do Pet Shop Boys, eu tomei banho de cerveja. No do Placebo, quase morri pisoteada. No do Therion, todo mundo que passou por mim pediu licença. A partir de hoje, eu abraço metaleiros!
Acho que o maior mérito dessa banda e de seus fãs é, vejam vocês, a sinceridade. É tudo altamente performático, soberbamente teatral - e eles não fazem questão nenhuma de esconder isso. É uma grande fantasia; escancaradamente, uma fantasia. Não tem ninguém no palco querendo parecer o mais descolado. Não tem ninguém na platéia olhando para o lado se achando mais metaleiro que o vizinho. Ninguém estava lá só para dizer que viu o Therion - tanto que a quantidade de celulares com câmera apontados para a banda era ínfima. O pessoal não estava lá para se exibir, muito menos para se bater: estava lá para curtir o som. Só isso.
E o som é bom mesmo. Parece o clichê do clichê, mas é completamente diferente. Tem som pesado e solos? Tem, mas não tem punhetagem com instrumento nenhum. Tem vocal gutural? Tem, mas não tanto que não dê para dormir à noite. Tem falsete? Tem, mas nada que nos faça imaginar que a calça do vocalista esteja excessivamente apertada nas bolas. Tem cantora lírica de corpete? Tem, mas não tem choradeira nem agudos de quebrar vidro. É tudo muito bem dosado e harmônico - de fato um conjunto, não uma soma de elementos separados.
Além do mais, o povo da banda é bastante amigável. O vocalista declarou recentemente que seu sonho era gravar com a Björk (e ela chamando o Anthony dos Jonhsons, que besteira!). Eles fazem piadinhas, agradecimentos efusivos e até duelo de baquetas. Sabem conduzir o público no hey hey hey. E cantam para burro! Ouvindo as moças, fiquei me perguntando o que é que ainda vêem na Sandy...
Fato é que eu me diverti. As músicas que eu tinha ouvido no CD ao vivo estavam iguaizinhas. E as que eu não conhecia eram muito foda! Exceto pelo cover do Manowar - e eu sei que qualquer fã de metal vai querer me apedrejar - que achei muito chato. O Therion vale cada centavo. Eu garanto!